A festa litúrgica de São Brás, bispo e mártir, celebrada em 3 de fevereiro, é uma daquelas joias da antiga piedade católica que a modernidade tratou com descuido, mas que a Tradição jamais esqueceu.
São Brás foi bispo de Sebaste, na Armênia, no início do século IV, e uniu em si o que raramente se vê hoje: doutrina reta, zelo pastoral e coragem até o sangue. Médico segundo a tradição, pastor por vocação divina, retirou-se por um tempo à vida eremítica durante as perseguições, mas foi arrancado de sua solidão para confessar publicamente Cristo. Preso por ordem do governador pagão Agrícola, sofreu tormentos cruéis e, permanecendo firme na fé, foi finalmente decapitado, selando com o martírio aquilo que ensinara com a palavra.
A Igreja sempre o venerou como poderoso intercessor contra as doenças da garganta, por causa do célebre milagre da criança salva de sufocação por uma espinha de peixe. Daí provém a bênção das gargantas, realizada com duas velas cruzadas — rito antigo, sóbrio e teologicamente límpido, que recorda que a saúde do corpo deve servir à salvação da alma, não ao culto do conforto.
Liturgicamente, a festa de São Brás exalta sobretudo a humildade episcopal e a fortaleza do mártir: um bispo que não se fez político, nem administrador de consensos, mas testemunha da Verdade. Seu exemplo é um silencioso reproche aos pastores tíbios de todas as épocas. São Brás ensina que melhor é perder a vida do que calar a fé, e que a verdadeira caridade pastoral está em conduzir as almas, mesmo ao preço do sangue, ao Cristo crucificado.
São Brás, bispo e mártir, rogai por nós.
Invocações iniciais
℣. Deus, in adiutorium meum intende.
℟. Domine, ad adiuvandum me festina.
Gloria Patri…
℣. Rogai por nós, São Brás.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
I
O glorióse S. Blasi, qui, dum pro vera fide certares, mortem subisti, obtine nobis gratiam constantiæ in confessione fidei catholicæ, ut nec minis nec tormentis a veritate unquam avertamur.
Português
Ó glorioso São Brás, que, combatendo pela verdadeira fé, aceitastes a morte, alcançai-nos a graça da constância na confissão da fé católica, para que jamais nos afastemos da verdade por ameaças ou tormentos.
II
O invícte Martyr, qui in medio carceris alios confortabas et ad Deum ducebas, impetra nobis fortitudinem in adversis et caritatem erga proximum.
Português
Ó mártir invencível, que no cárcere fortalecíeis os outros e os conduzíeis a Deus, alcançai-nos fortaleza nas adversidades e caridade para com o próximo.
III
O fidelíssime Pastor, qui gregem tibi commissum verbo et exemplo nutrivisti, fac ut veritatem semper amemus et errores fugiamus.
Português
Ó fidelíssimo Pastor, que alimentastes o rebanho que vos foi confiado com a palavra e o exemplo, fazei que amemos sempre a verdade e fujamos dos erros.
IV
O miraculórum dispensator, qui per intercessionem tuam infirmitates corporis sanas, præcipe Domino ut a morbis gutturis et omni malo nos liberet.
Português
Ó dispensador de milagres, que por vossa intercessão curais as enfermidades do corpo, pedi ao Senhor que nos livre das doenças da garganta e de todo mal.
V
O beáte Martyr, qui animas ad salutem trahere non cessasti, accende in cordibus nostris zelum apostolicum et amorem animarum.
Português
Ó bem-aventurado Mártir, que não cessastes de conduzir almas à salvação, acendei em nossos corações o zelo apostólico e o amor às almas.
VI
O athléta Christi, qui tormenta patienter sustinuisti, doce nos crucem quotidianam libenter portare in unione cum Passione Domini.
Português
Ó atleta de Cristo, que suportastes os tormentos com paciência, ensinai-nos a carregar de boa vontade a cruz diária em união com a Paixão do Senhor.
VII
O protectór infirmórum, respice super eos qui dolore et infirmitate premuntur, et obtine eis levamen corporis et salutem animæ.
Português
Ó protetor dos enfermos, olhai por aqueles que sofrem de dores e enfermidades e alcançai-lhes alívio do corpo e salvação da alma.
VIII
O glorióse Patronus Ecclesiæ, defende nos a falsis doctrinis, a scandalis et a tepore spirituali.
Português
Ó glorioso Patrono da Igreja, defendei-nos das falsas doutrinas, dos escândalos e da tibieza espiritual.
IX
O magne Sancte Blasi, per gloriam martyrii tui, obtine nobis perseverantiam finalem, ut post hanc vitam tecum Deum in æternum laudare mereamur. Amen.
Português
Ó grande São Brás, pela glória do vosso martírio, alcançai-nos a perseverança final, para que depois desta vida mereçamos louvar a Deus convosco por toda a eternidade. Amém.
Oração Final para todos os dias
Oremus
Deus, qui nos annua sancti Blasii, Martyris tui atque Pontificis, solemnitate laetificas: concede propitius, ut eius protectione fruamur, cuius natalicia celebramus.
Per Christum Dominum nostrum. Amen.
℣. Nos cum prole pia benedicat Virgo Maria.
℟. Amen.
Oremos
Ó Deus, que nos alegrais com a solenidade anual de São Brás, vosso Mártir e Pontífice, concedei-nos benigno a graça de gozarmos da proteção daquele cujo nascimento para o céu celebramos.
Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
℣. A Virgem Maria nos abençoe com sua piedosa descendência.
℟. Amém.

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